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A conservação do património cultural…
O desenvolvimento económico das autarquias aliado às facilidades proporcionadas pelos programas comunitários e as mudanças nacionais e internacionais operadas nos conceitos de património e museu originaram inúmeras transformações, não só no panorama cultural mas também económico e social do país. Desenvolveu-se assim, a nível social uma crescente preocupação pela preservação do nosso património cultural que foi acompanhada por uma formação mais exigente dos seus intervenientes. De entre os profissionais que intervêm nas acções de conservação do património cultural focar-nos-emos apenas nos profissionais de conservação e restauro. A conservação e restauro, profissão/actividade indubitavelmente ligada aos museus, começa, ao longo do século XX, por se relacionar com outras instituições até ganhar prestígio, com a formação específica em escolas superiores, autonomia, com o aparecimento de inúmeras empresas promovido pela proliferação de profissionais qualificados, e enquadramento jurídico e institucional.
…na região do Algarve. As transformações operadas no panorama cultural, económico e social da região foram mais tardias mas igualmente importantes. A crescente preocupação social pela preservação do património cultural, originada pela percepção de uma ameaça da perca de identidade regional, converteu-se numa preocupação quotidiana e numa orientação política para os nossos autarcas. Na tentativa de minimizar estragos e rentabilizar recursos começaram a proliferar por todo o Algarve museus e núcleos museológicos, sítios e monumentos recuperados, que segundo a Base de Dados da Direcção Regional de Cultura do Algarve ultrapassam largamente a centena, geridos na sua maioria pelas autarquias locais. Paralelamente à abertura de museus e núcleos museológicos e à recuperação de monumentos e sítios arqueológicos e etnográficos, as autarquias reestruturaram-se e formaram departamentos e divisões ligadas à cultura para as quais contrataram profissionais: historiadores, arqueólogos, conservadores-restauradores, antropólogos, técnicos de turismo, entre outros. Na constituição destas equipas multidisciplinares, tão necessárias ao pleno funcionamento das novas estruturas culturais, depararam-se com a falta de recursos financeiros. Assim, na maioria das vezes os profissionais têm que desenvolver todo o tipo de acções, numa política de versatilidade cultivada desde há muito.
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Aqui descansaram vidas anónimas. Gentes incógnitas que o tempo fez esquecer. Foram estes os filhos antigos de uma geração que viveu filha do seu próprio tempo, da sua realidade periférica, de um Algarve antigo, esquecido num cantinho do mundo. Aqui repousaram em segredo as vozes de uma outra era, num tempo de renovação mental. Uma recente preocupação – a saúde pública – resultante de uma moderna consciência europeia, viria a ditar por esta altura uma nova obrigatoriedade: doravante, não mais se poderiam enterrar corpos no interior das igrejas ou nas suas imediações. Conquista difícil de se alcançar, já que os enterramentos nas igrejas garantiam o acesso aos céus, mas muitos eram agora os vizinhos, cada vez mais, e, por isso mesmo, havia que perceber que os cemitérios públicos eram de facto uma necessidade. Foi assim em Cacela e em muitos outros sítios, e foram estas as premissas que viriam a impor a construção do Cemitério Antigo.
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Os públicos das instituições culturais colocam-nos questões que nos obrigam a pensar a comunicação cultural. No caso específico do Algarve o desafio poderá ser ainda maior. A oferta cultural na região algarvia tem vindo a aumentar na última década. Para tal contribuiu o investimento realizado pelos municípios na construção e recuperação de equipamentos culturais, como teatros, museus e bibliotecas. O circuito cultural algarvio tem vindo a desenvolver-se, mas para quem? para a população residente? para os turistas? A questão dos públicos é inerente ao funcionamento de qualquer instituição cultural. Sem estes a sua existência é difícil de justificar. O Algarve debate-se com o problema da sazonalidade, não só na área da cultura mas em todos os sectores de actividade. A região tem como principal fonte de receitas o turismo, preponderante na época do Verão. Embora já se notem esforços para combater a discrepância época alta / baixa, é natural que as organizações que prestam serviços culturais possam cair na tentação de orientar a sua produção de forma a tirar partido da situação. Fará sentido desenvolver a actividade cultural em função de públicos flutuantes?
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