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Indústrias criativas já geram mais riqueza do que os têxteis O sector cultural e criativo foi responsável, no ano de 2006, por 2,8% de toda a riqueza criada em Portugal. Este dado é disponibilizado por um estudo recentemente divulgado pelo Ministério da Cultura (MC) e representa um valor superior, por exemplo, ao contributo dado por indústrias tradicionais como a têxtil ou alimentar. Os economistas contactados pelo i consideram que o atraso do sector primário é preocupante, mas salientam o contributo que as indústrias criativas podem dar a esse sector.
João Duque mostra-se alarmado com esta ultrapassagem. "Preocupa-me o sector primário pela dependência externa, porque a prestação de serviços não compensa na balança comercial", diz, ao i. João Cantiga Esteves também reconhece que "de fundo é preocupante" este atraso dos sectores tradicionais. Mas para este economista, o avanço do sector cultural e criativo é "muito positivo" e "pode ajudar" o resto da economia: "As novas áreas deram um salto para a economia real e ajudam o sector primário. A publicidade pode contribuir para a promoção de uma marca de vinho e o design pode impulsionar a indústria da serração". De facto, até a agricultura pode beneficiar com o sector criativo. "Já não é só arte pela arte", conclui Cantiga Esteves.
No que se refere ao emprego, o sector cultural e criativo era responsável, em 2006, por cerca de 127 mil empregos, representando cerca de 2,6% do emprego nacional total. De acordo com o estudo "Sector Criativo e Cultural em Portugal", do MC, aquele sector "criou, no período 2000- -2006, 6500 empregos em Portugal, registando um crescimento cumulativo de 4,5%, [...] num contexto marcado por um crescimento cumulativo do emprego de apenas 0,4%, à escala nacional".
Apoios Em 2008 foi criado o Prémio Nacional de Indústrias Criativas, uma parceria entre a Fundação Serralves e a Unicer, que visa "apoiar projectos estruturantes que podiam ter valor acrescentado para a economia", diz Joana Queirós Ribeiro, da Unicer. As candidaturas para a a segunda edição deste prémio terminaram ontem. José Carlos Mota, professor da Universidade de Aveiro e promotor do concurso "Cidades Criativas", refere ao i que "se é tão importante [o sector criativo], como demonstra o estudo, têm de ser criadas políticas públicas de incentivo".
A ministra da Cultura Gabriela Canavilhas já assegurou que o orçamento da Cultura para 2010 vai ser reforçado. Mais: na semana passada foram anunciadas as indemnizações compensatórias às empresas que prestam serviço público. A área cultural teve um aumento de 21,3 milhões de euros, mais 259% do que em 2008. Resta saber se o estudo do MC terá impacto na política governamental. O i sabe que Gabriela Canavilhas está neste momento a analisá-lo e que ainda este mês o vai comentar.
por Tiago Guerreiro da Silva , Publicado em 09 de Dezembro de 2009 in http://www.ionline.pt/conteudo/36612-industrias-criativas-ja-geram-mais-riqueza-do-que-os-texteis |