|
Os ateliers de Verão 08 em S. Bartolomeu Castro Marim A província não é o centro, mas já não é a negação deste. É certo, que há muitos aspectos da vida da província e das cidades que configuram uma bipolaridade. Mas, instalados no século XXI, damo-nos conta de que o jogo de oposições é mais complexo, menos linear e menos hierarquizado do que o evolucionismo social de novecentos vaticinava no tempo da explosão urbana , primeiro no Ocidente e depois um pouco por todo o mundo.
Mal se distinguem os habitantes da grande cidade e da pequena aldeia, tão pouco os instrumentos que manipulam, as infra-estruturas que os servem ou mesmo a arquitectura. Bibliotecas, Teatros , Museus e Centros de Arte outrora exclusivos dos grandes espaços urbanos , tornam-se irresistivelmente atraentes nas pequenas cidades e vilas da província. Por vezes, prodigiosamente, criam-se programas e modos de funcionamento pensados com e a partir de uma intimidade com o lugar, equacionando as práticas artísticas com as actividades locais vinculadas a um ecossistema , em vez de da sua perpétua ocultação e denegação. São programações que se desenvolvem a partir de um conhecimento do sistema da arte, incluindo as reflexões e os reflexos da arte no mundo globalizado da internet e dos superstruturas museológicas , e um intensivo trabalho de campo e domínio da literatura do lugar em que operam. O sentido do trabalho no terreno em arte não se reduz a identificar e tapar carências, ou a dar voz aos que a não têm, mas sobretudo a colher experiências que são a matéria prima das expressões artísticas.
|