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Ao longo dos últimos meses a palavra “crise” foi com certeza a palavra mais utilizada do vocabulário português. Basta estar atento aos noticiários, sejam eles emitidos na televisão ou no rádio, aos títulos dos jornais, ou às conversas do dia-a-dia entre os nossos amigos, conhecidos ou colegas de trabalho. Fala-se dos cortes de salários e pensões, aumento de impostos e do adeus aos décimo terceiro e quarto meses.
Habituados à fatia mais pequena do orçamento, à gestão de equipas e verbas cada vez mais reduzidas bem como à apresentação de cada vez melhores resultados com menos recursos, estão os agentes culturais públicos. Os independentes, sejam eles de cariz associativo ou profissional, não deverão viver uma realidade muito diferente, até porque de uma forma ou de outra (subsidio ou contratação), acabam por estar dependentes (em diferentes graus) da disponibilidade financeira do erário público para a cultura. E quando falamos de regiões como o Alentejo e o Algarve, que sofrem os resultados de profundas assimetrias (económicas, sociais e culturais), quer dentro do seu próprio território, quer relativamente aos grandes centros urbanos, esta realidade é ainda mais vincada. |
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Com o ano de 2011 quase a terminar, é tempo de planificar o novo ano que se aproxima! Para tal, a AGECAL apela à participação de todos os sócios para a construção do Plano de Actividades para 2012. Todas as ideias são bem vindas, quer para actividades pontuais quer para projectos com continuidade no tempo. A AGECAL começou uma nova fase com a sede estabelecida em Faro. Iniciamos cursos de formação em sala, pelo que convidamos os sócios a propor sugestões para workshops, cursos ou outras formações a realizar na sede da AGECAL, ou noutro espaço a combinar, quer de vocês próprios como formadores, de conhecidos ou de terceiros. É importante que todas as ideias assentem sobre o paradigma do nosso tempo: a auto-sustentabilidade dos projectos. Envia a tua proposta até ao dia 07 Novembro para o emai:
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Estamos hoje a pagar bem caro as consequências de uma política que prosseguiu a descaracterização cultural do Algarve. A atribuição aos Municípios das mais latas competências na área do urbanismo e ordenamento do território teve efeitos desastrosos – seria melhor dizer: trágicos. Na última trintena de anos, o Algarve foi sistematicamente destruído; ocorreu um genocídio cultural. O agente, o responsável, o alegre autor do magno delito: um certo “poder local”, cujas malfeitorias tornaram, salvo contadas excepções, irreconhecível a nossa região. Na segunda metade dos anos setenta do século passado, quem se apoderou dos Municípios algarvios foi uma pequena burguesia tão voraz quanto ignara. Arguta, viu chegada a sua hora e atirou-se avidamente à carniça. Movida por uma insaciável cupiditas aedificandi, devassou, sobretudo o litoral, até ao ínfimo rincão. Construir, depressa e em força, tornou-se a palavra de ordem. E construir sem plano nem estética nem respeito – construir com a exclusiva finalidade do lucro rápido e chorudo. A nova classe da governança local – tudo “homens bons”, evidentemente! – enriqueceu bem e depressa, de braço dado com a legião dos patos-bravos indígenas ou, na maioria, migrados para a região. Todavia, o enriquecimento fácil de uns poucos teve como contrapartida o empobrecimento da imensa maioria. |
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Entrevista para o suplemento cultural "Cultura.Sul" do jornal Postal do Algarve, edição de Julho 2011. "Defende que o Algarve terá de activar relações mais intensas com o Alentejo e a Andaluzia e aumentar projectos entre associações. As au- tarquias deverão cooperar mais em programas estratégicos, potenciar e partilhar meios. Para Jorge Queiroz, o grande objectivo é construir uma contemporaneidade com identidade, a bem de todos". CULTURA.SUL – Que balanço faz destes primeiros três anos da AGECAL? Jorge Queiroz – A AGECAL, fundada em 2008 por 14 profissionais, possui hoje expressão regional com 62 associados de 13 dos 16 concelhos algarvios. Nestes anos, ainda sem sede, organizámos três importantes seminários, em Faro (Que desenvolvimento cultural para o Algarve? - 2008), Tavira (Concepção e Gestão de Infra-estruturas Culturais - 2009) e Lagos (Serviços Educativos em Espaços Culturais - 2010), realizámos cursos de “Jornalismo de Cultura” em Loulé e Tavira. Apoiámos a pós-graduação, agora mestrado em “Gestão Cultural” da Universidade do Algarve. Aceitámos o honroso convite para integrar o Conselho Económico e Social da UAlg. A AGECAL participou na criação da Associação Ibérica de Gestores Culturais – AIGC e fomos co-organizadores do 1º Congresso Internacional de Gestão Cultural realizado em El Ejido – Almeria em 2009. Continue a leitura da entrevista na edição em papel do jornal ou na sua versão digital em: http://issuu.com/postaldoalgarve/docs/cultura.sul35. |
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