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Agecal - Associação de Gestores Culturais do Algarve
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Artigo "O futuro das Bibliotecas Públicas" PDF Imprimir e-mail

Estarmos juntos: é um começo

Continuarmos juntos: é um progresso

                      Trabalharmos juntos: é a chave do sucesso!”

(autor desconhecido)

 

Coberto praticamente todo o país com a Rede Nacional de Leitura Pública a uma velocidade e abrangência incríveis (em cerca de três décadas, ela oferece conhecimento, lazer e informação a leitores dos 0 aos 100 anos), e embora a nível regional as bibliotecas tenham ainda de estreitar uma política concertada de cooperação interinstitucional, a realidade americana de extinção de alguns destes equipamentos culturais e a inglesa com atuais campanhas, por parte de leitores de todas as idades, profissões, nacionalidades, sexo e religiões, pela defesa destes organismos que acrescentaram mais saber e sabor às suas vidas, impõe-nos a questão da transformação das bibliotecas vs extinção.

Diálogo, estratégia, coordenação e complementaridade são, portanto, palavras-chave na vida das bibliotecas, sendo que para evitar esta situação nos próximos 15, 20 anos é crucial que a Biblioteca responda, cada vez mais, às necessidades das pessoas e acrescente valor à vida dos leitores, caminhando também cada vez mais para a prática do “Just in time” em detrimento da prática “Just in case”, em termos de aquisição e tratamento documental. Estes aspetos não espelham senão a necessidade de uma abordagem centrada sobretudo no leitor e não no livro: uma biblioteca de e para pessoas, com repercussões quer na (re)estruturação de formações profissionais e académicas da área (felicita-se, nesta ótica, a abertura da Pós-Graduação em Promoção e Mediação de Leitura, em 2009, na Universidade do Algarve, uma vez que em território português mesmo as formações nesta área apenas contemplavam o público infanto-juvenil, descurando o adulto), quer na arquitetura do edifício, design do mobiliário, arrumação documental e conceção de projetos.
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Curso GECA "Gabinete de Prensa para Gestores y Empresas Culturales" PDF Imprimir e-mail

A Asociación de Gestores Culturales de Andalucía (GECA), organiza o Curso "Gabinete de Prensa para Gestores y Empresas Culturales", com direcção de Alfonso Hurtado, tendo como objectivo desenvolver um conhecimento professional das estratégias de comunicação, as dinâmicas dos meios de informação e dos novos modelos de gestão da comunicação cultural.

 

Este curso em formato Teleformação (online), para conciliar com a vida laboral, tem a duração de 16 horas e se decorre do dia 28 Maio ao da 04 Junho de 2012.

Terá um custo reduzido de matrícula de 40 euros para sócios da GECA, FEAGC e AGECAL, e 50 euros para público geral.

O limite de inscrições é de 30 vagas, que serão ocupadas por rigorosa ordem de recepção da inscrição que finalizará no dia 15 de Maio.

 

Para mais informação:

www.gecaandalucia.org/index.php/noticias/1-actualidad/340-curso-geca-gabinete-de-prensa-para-gestores-y-empresas-culturales-

 
Artigo "Cultura e investimento público" PDF Imprimir e-mail
A História ensina-nos que quando há um momento de aperto económico, a cultura é a primeira a levar com o machado - o que levanta geralmente poucas vozes dissonantes. Nos tempos que correm, uma conversa que se levante sobre cortes no sector cultural tende a desembocar mais cedo ou mais tarde no argumento “porquê gastar o dinheiro dos contribuintes num espectáculo quando se pode pagar um enfermeiro?”.

O dilema tem tanto de injusto como de desarmante. É um detonador de conversa que inquina a mais bem-intencionada tentativa de debater com seriedade o investimento na cultura. Ninguém vai argumentar que se cortem ambulâncias para pagar a Companhia Nacional de Bailado. E vai ganhando terreno um discurso de desvalorização da cultura, e uma viragem para um contexto em que o económico se apodera da linguagem e dos discursos.

A despesa pública na cultura é sempre controversa, até porque envolve conceitos de grande subjectividade. Mas sejamos honestos: quem se opõe ao financiamento público à cultura tem pouco de que se queixar. No Orçamento de Estado, a maior quebra é (pois então) na cultura, cabendo-lhe menos 22,7%. Engolida na voragem económico-financeira, a meta do 1% fica ainda mais longe, à boleia de um Ministério que se fez Secretaria de Estado sem assento em Conselho de Ministros. O investimento financeiro na cultura é baixíssimo: 0,56% dos impostos que pagamos, ou seja, cerca de 19€ por português por ano, directos e indirectos. Entretanto, os municípios - que têm sucessivamente assumido responsabilidades nesse campo, imputando à cultura partes significativas dos seus orçamentos, dotando o país de uma rede descentralizada de equipamentos culturais de referência, investindo na profissionalização, apoiando estruturas artísticas - vivem uma situação dramática com a quebra violenta de receitas próprias, o que veio deixar o sector ainda mais desprotegido. No Algarve a situação é ainda mais alarmante: de uma forma geral, as câmaras perderam 300 milhões de impostos em 4 anos. Em Portimão, onde vivo e trabalho, a quebra de receitas próprias atinge os 55%.

Perante este cenário, como defender o investimento na cultura?
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Artigo "Património, o tempo que muda o olhar" PDF Imprimir e-mail
Acabava de sair da segunda fornada da licenciatura em Património Cultural da Ualg. Curso terminado abria então caminho para uma nova etapa da vida, coração cheio de sonhos, projectos, novas ideias (e ideais) para um mundo melhor. Poderia ajudar a defender o precioso património cultural algarvio (!)...
Pronta a bater-me pelo legado histórico-cultural, a aplicar os meus parcos e novos conhecimentos… e, porque é saudável sonhar, foi então que decidi escrever um pequeno artigo no qual alertava que podíamos ajudar a salvaguardar a herança colectiva pela sensibilização das pessoas.  
Desde então, olhando o que aprendi e consegui efectivamente concretizar, pergunto-me como pode o tempo alterar tanto a nossa perspectiva. A preocupação continua, mas a crença de que tudo pode mudar de um momento para o outro foi ultrapassada. Afinal a nossa prestação como técnicos do património, seria (e é) conhecer melhor, analisar, consciencializar e sensibilizar, tarefa árdua que apenas mostra resultados a longo prazo.
Mas nem tudo são combates, é necessário um olhar mais atento, talvez mais sensato e conhecedor, adequado ao contexto sociocultural e económico. Os anos passaram num ápice e é necessário um novo profissional, com entendimento pluridisciplinar, mais criativo e crítico, atento às constantes mutações e à evolução “natural”. Apesar do tempo decorrido e de se notar maior formação multidisciplinar, ainda constatamos tendências para o desconhecimento de elementos patrimoniais importantes e para alguma negligência.
Possuímos uma enorme diversidade de patrimónios, um legado cultural material mas também imaterial, que fortalecerá os núcleos identitários das nossas sociedades, como marcos da memória e vivencias colectivas. A UNESCO estabeleceu na última década uma Convenção dedicada ao Património Imaterial e dezenas de Países estão a descobrir a riqueza única e a propor a classificação de expressões espirituais e artísticas como Património Cultural Imaterial da Humanidade, como aconteceu recentemente com o fado.
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Artigo "O Algarve nos relatos de viajantes" PDF Imprimir e-mail
“De Faro pusemo-nos a caminho de Tavira […]. Caminhámos por uma soberba plana, que nos apresentava campos de trigo vedados por numerosas sebes, amendoeiras misturadas com árvore-pão de S. João, a romãzeira, a figueira e a oliveira, tendo o oceano á direita e, á esquerda a alguma distância, a serra do caldeirão. Uma hora depois do pôr do sol, chegámos a Tavira, a Balsa dos tempos antigos.” (Costigan, Cartas sobre a sociedade e os costumes de Portugal, 1778-1779, Vol. I, 1898, p. 51).

Os textos produzidos pela literatura de viagens são fundamentais para a compreensão da evolução histórico-cultural, das alterações na paisagem e no território, das transformações das mentalidades, e um auxiliar na definição da identidade de uma região ou de um país.

Neste sentido, vale a pena debruçarmos a nossa atenção sobre relatos de viajantes estrangeiros que, no século XVIII, visitaram o nosso país, em particular o Algarve, e sobre ele escreveram, deixando-nos testemunho de tais experiências.

Portugal tinha, até então, uma imagem pouco positiva no resto da Europa, considerado atrasado e mal organizado, com uma nobreza de extrema arrogância e um povo supersticioso e subjugado pelas correntes dogmáticas do clero e da Inquisição. Após o terramoto de 1755 e as reformas de Pombal, Portugal começou a atrair um maior número de viajantes estrangeiros, nomeadamente ingleses, franceses e alemães.

O Algarve, hoje uma região predominantemente turística, era à época uma das zonas mais periféricas de Portugal, isolada e pobre. Valeu-lhe a localização geográfica como porta de entrada marítima e terrestre, uma cultura própria e gente hospitaleira.
Mas que imagens ressaltam do Algarve naqueles testemunhos?
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